Moldando uma Vida Piedosa no Mundo Digital
Houston, temos um problema
Vamos ser honestos, temos um problema: virtudes raramente são discutidas em nosso tempo. A observação de C.S. Lewis de que a moralidade foi reduzida a “jogo limpo e harmonia entre indivíduos”¹ ainda ressoa como um retrato preciso da realidade moderna. A falta de interesse em cultivar as virtudes internas dos indivíduos e alinhar-nos com o propósito mais amplo da vida humana confinou a discussão sobre virtudes a um princípio simplista e potencialmente prejudicial: “não cause danos aos outros”.
Como resultado, quando as virtudes são abordadas, há frequentemente foco excessivo em um conjunto restrito de valores, negligenciando tanto considerações éticas mais profundas, como também o sentido da vida. Homens e mulheres virtuosos estão cada vez mais distantes da essência de sua virtude, reduzindo-a a uma mera forma sem substância, o que é profundamente problemático.
É igualmente importante reconhecer o quão acelerado nosso mundo se tornou. Mal temos tempo até mesmo para reconhecer que estamos sem tempo, e, ao refletir sobre essa questão, é difícil não atribuir grande parte da culpa aos avanços tecnológicos, uma vez que as distrações que agora cabem no bolso corroem nossa capacidade de gerenciar nossos próprios horários de forma eficaz.
Além disso, as linhas do tempo intermináveis das redes sociais consumiram nossa capacidade de autorreflexão e diminuíram nosso entusiasmo por atividades criativas. Em vez de contemplar, postamos – tornando-nos espectadores de nossa própria (im)popularidade.² Alternativamente, nos viciamos na última série, dedicando horas à tela e, ao final da maratona, somos tomados por um senso de culpa e por uma pilha crescente de tarefas inacabadas exigindo nossa atenção.
Tempo e virtudes: e aqui estamos nós, meros mortais, pegos no redemoinho que os estudiosos chamam de “mídia social”, que a população geral rotula como “redes sociais”, e que minha tia-avó simplesmente se refere como “Facebook”. C.S. Lewis, certa vez, observou que nem tudo o que é novo significa progresso. O homem que cunhou o termo “esnobismo cronológico” – um conceito para definir o desprezo pelo que é antigo – ainda tem muito a nos ensinar: “‘Ora-dane-se! – isso é coisa medieval’, exclamei; pois eu ainda tinha todo o esnobismo cronológico do meu período, e usava os nomes de períodos anteriores como termos de desdém”.³
Se descartarmos tudo o que é antigo como ultrapassado, corremos o risco de saltar perpetuamente para o desconhecido – um salto de fé schaefferiano,⁴ mas com um toque moderno: uma dose de dopamina. Ao fazê-lo, perdemos a capacidade de avaliar se o que é novo realmente enriquece nossas vidas ou apenas nos distrai ainda mais. Como disse Francis Schaeffer:
O salto é comum a todas as esferas do pensamento do homem moderno. O homem é forçado ao desespero de tal salto porque ele não pode viver meramente como uma máquina... Se abaixo da linha o homem está morto, acima da linha, após o salto não racional, o homem fica sem categorias. Não há categorias porque as categorias estão relacionadas à racionalidade e à lógica. Portanto, não há verdade e não-verdade em antítese, não há certo ou errado – você está à deriva.⁵
Tempo e dopamina estão intrinsecamente conectados. As indústrias de mídias sociais⁶ e streaming capturam nosso tempo oferecendo experiências que desencadeiam constantes surtos de dopamina em nossos cérebros – recompensas que nossas mentes acolhem com entusiasmo. Quando questionado sobre o maior concorrente da Netflix, seu CEO não hesitou em responder: o sono. Essa necessidade humana essencial é o principal rival de seu produto, que prospera incentivando os espectadores a assistir compulsivamente episódio após episódio, série após série, em busca de entretenimento interminável.
Enquanto isso, brasileiros passam mais de cinco horas diárias em seus smartphones, atraídos para o buraco negro de posts, curtidas e compartilhamentos.⁷ A combinação dessas plataformas e dispositivos cria um vórtice poderoso, puxando ainda mais os usuários para um ciclo de distração e gratificação instantânea. Que tipo de entretenimento rouba seu tempo de forma tão completa que você perde todo o senso de controle? Como nos tornamos tão dessensibilizados, tão alheios à natureza invasiva de nossas novas tecnologias?
Permita-me me apresentar: embora busque um tom poético neste artigo, sou, no fundo, um cientista da computação. Na última década, dediquei-me a estudar como as pessoas influenciam umas às outras por meio de interações nas redes sociais.⁸ Desenvolvi modelos para prever mudanças de comportamento, emoções e opiniões, mas uma coisa continua a me intrigar: a gritante ausência de um discurso significativo sobre como gastamos nosso tempo consumindo conteúdo que, em última análise, serve apenas para sustentar os mecanismos de recompensa primitivos de nossos cérebros.
Alguém pode perguntar: “E daí? Qual é o problema? Eu posso fazer o que quiser com meu tempo!” No entanto, não posso deixar de recordar o aviso dado por Jesus em Lucas 12:20: sua alma pode ser requerida esta noite. Ou talvez o Senhor retorne de sua jornada, ansioso para ver como você administrou o cheque com mil talentos que Ele confiou aos seus cuidados (Mt 25.14-30).
Sinto muito (na verdade, nem tanto) se ofendi aqueles que acham absurdo usar uma abordagem aparentemente ameaçadora para motivar as pessoas a viverem uma vida digna. Também não gosto muito disso. No entanto, ainda acredito que o temor é o princípio de toda sabedoria (Pv 9.10)⁹ – não qualquer temor, mas o temor reverente daquele que detém a propriedade sobre o nosso tempo.
Também acredito que reconhecer nossas próprias limitações pode nos guiar para viver uma vida boa – não meramente uma vida cheia de felicidade, mas uma vida imbuída de significado. Afinal, não é à pergunta “O que estou fazendo aqui?” que todos estamos, em última análise, buscando responder?¹⁰
Então, temos um problema. As pessoas estão se tornando cada vez mais viciadas nas redes sociais – todos sabem disso. Mas, como cristãos, somos chamados a servir nosso Senhor com tudo o que somos,¹¹ o que inclui nossos recursos: nosso tempo, nossos olhos e nossa atenção.
O discurso predominante em torno dos problemas das redes sociais tende a focar em seus efeitos no cérebro – seu impacto na concentração e na vida social. Embora essas preocupações sejam válidas, precisamos levar a conversa um passo adiante. Devemos olhar para dentro de nossas almas e refletir sobre nosso chamado para renovar o mundo, mesmo dentro desse contexto.
O discurso predominante em torno dos problemas das redes sociais tende a focar em seus efeitos no cérebro – seu impacto na concentração e na vida social. Embora essas preocupações sejam válidas, precisamos levar a conversa um passo adiante.
Isso me leva à pergunta que quero explorar mais profundamente: como as virtudes podem nos ajudar a entender a nós mesmos e o mundo ao nosso redor? E, mais especificamente, como podemos praticar a prudência em um mundo repleto de distrações e exigências incessantes sobre nosso tempo? Mas, antes de mergulharmos nessas questões, vamos aprender um pouco sobre nós mesmos.
Conhecendo a nós mesmos
E se eu dissesse que seu cérebro precisa de tempo livre? E se eu dissesse que o tempo que você gasta alimentando sua mente determinará quem você se tornará ao longo dos anos? Ou seja, o que você consome pode levá-lo a um caráter que, sem dúvida, moldará seus dias futuros. Voltando a Lewis:
Toda vez que você faz uma escolha, está transformando a parte central de você, a parte que escolhe, em algo um pouco diferente do que era antes. [...] você está lentamente transformando essa parte central em uma criatura celestial ou em uma criatura infernal.¹²
Um deslize pode ser a porta de entrada para uma vida em declínio, ao passo que uma decisão bem tomada pode transformar sua vida em uma nova etapa de serenidade e alegria. Você entende aonde quero chegar?
Foi com grande surpresa que descobri que neurocientistas identificaram estruturas em nossos cérebros que imitam o comportamento de outras pessoas, gerando empatia. Parece ser um mecanismo de sobrevivência que explica muito bem vários de nossos instintos comunitários.
Um passo atrás para que eu possa oferecer uma visão completa do que quero dizer.
Marco Iacoboni afirma que os neurônios-espelho são responsáveis por nossas influências mútuas.¹³ Esses neurônios especializados são ativados quando interagimos com outros humanos de maneiras que nos levam a imitar seus comportamentos, o que pode ser observado em ações como bocejar. Quantas vezes você bocejou depois de ver alguém no mesmo ambiente bocejar? Ou quão doloroso é assistir alguém escorregar e cair de costas em uma escada escorregadia? Segundo Iacoboni, temos neurônios altamente especializados que garantem que empatizemos com outros humanos – isso explica por que não sentimos emoções fortes ao, por exemplo, ver um copo quebrar.
Esse conhecimento é significativo porque não somos apenas influenciados em nossos sentimentos, mas também em nosso comportamento e em nossas opiniões, e as redes sociais exploram nossas tendências naturais de imitação. Quando vemos outras pessoas expressando alegria, raiva ou sucesso online, nossos neurônios-espelho podem nos fazer sentir essas emoções como se fossem nossas. Isso pode explicar por que somos atraídos para a rolagem interminável, enquanto nossos cérebros continuamente imitam e respondem às emoções apresentadas.
Damon Centola projetou uma plataforma experimental de mídia social para estudar como postagens relacionadas à saúde se espalham com base na estrutura das redes sociais construídas pela interação dos usuários.¹⁴ Sua pesquisa demonstrou que modelos epidemiológicos tradicionais não permitem explicar completamente contágios complexos, levando a uma nova abordagem para modelos de difusão que levam em conta o comportamento humano. Em outras palavras, a forma como estamos conectados em nossos relacionamentos influencia o tipo de comportamento que podemos adotar ou nossas opiniões sobre determinados tópicos ou pessoas.
Essa distinção destaca a importância de ir além do envolvimento superficial, chamando os cristãos a cultivar relacionamentos intencionais e espaços digitais onde as virtudes possam ser consistentemente modeladas, nutridas e reforçadas, abrindo caminho para transformações mais profundas e duradouras.
Nicholas Christakis e James Fowler coletaram um rico conjunto de dados que inclui informações detalhadas sobre as conexões sociais dos participantes – cônjuges, amigos, colegas de trabalho e vizinhos – juntamente com atualizações dessas relações ao longo do tempo.¹⁵ Eles fornecem uma explicação abrangente de suas descobertas em seu livro Connected: The surprising power of our social networks and how they shape our lives (“Conectados: o surpreendente poder de nossas redes sociais e como elas moldam nossas vidas”, em tradução livre), que explora como as pessoas podem mudar seus comportamentos relacionados à saúde, por exemplo, peso, tabagismo, consumo de álcool e atividade física. Uma das principais descobertas de seu trabalho é que as pessoas tendem a se agrupar com outras que são semelhantes a elas – um fenômeno chamado homofilia. No entanto, essas redes não são meros reflexos de traços compartilhados; elas influenciam ativamente esses traços por meio de exposição e reforço.
Os cristãos também estão sujeitos ao contágio de comportamentos que levam ao desperdício de tempo nas redes sociais. No entanto, ao praticarem intencionalmente a prudência e a autodisciplina, eles têm o potencial de se tornar agentes de transformação positiva nesses ambientes. Com seu exemplo, podem ajudar a reverter hábitos prejudiciais, a promover práticas mais saudáveis e a inspirar as pessoas em suas redes a adotarem modos de vida mais significativos e com propósito.
Os cristãos também estão sujeitos ao contágio de comportamentos que levam ao desperdício de tempo nas redes sociais. No entanto, ao praticarem intencionalmente a prudência e a autodisciplina, eles têm o potencial de se tornar agentes de transformação positiva nesses ambientes.
Em seu livro The Coddling of the American Mind: How Good Intentions and Bad Ideas Are Setting Up a Generation for Failure (“O mimo da mente americana: como boas intenções e más ideias estão preparando uma geração para o fracasso”, em tradução livre), Jonathan Haidt e Greg Lukianoff examinam tendências culturais e psicológicas na sociedade americana, particularmente no ensino superior, e seus efeitos sobre os jovens. Os autores argumentam que certas mudanças sociais, embora bem-intencionadas, inadvertidamente minaram a resiliência, o pensamento crítico e a capacidade dos jovens de enfrentar desafios. Um dos tópicos mais impactantes discute os efeitos das redes sociais. Os autores destacam que o aumento das redes sociais está intimamente ligado às taxas crescentes de ansiedade, depressão e polarização, especialmente entre as gerações mais jovens. De acordo com suas pesquisas, as plataformas de redes sociais amplificam a indignação, o tribalismo e a “cultura do cancelamento”, criando ambientes que desencorajam o diálogo aberto e exacerbam os desafios à saúde mental.
Recuperar a autonomia na era digital exige não apenas fomentar resiliência e independência, como sugerem Haidt e Lukianoff, mas também abraçar uma perspectiva espiritual que desafie os cristãos a alinhar seus hábitos digitais com sua fé e administrar seu tempo como um recurso sagrado.
Esses estudos e novas descobertas devem nos preocupar profundamente e levar a uma reavaliação de como vivemos: E agora? Como devemos então viver? Abandonar o mundo? Desconectar? Distanciar-se das pessoas com quem nos relacionamos virtualmente? Como alinhar nossos corações com Deus em meio ao turbilhão de informações inúteis e sem sabor, sem sofrer da síndrome do medo de perder algo (FOMO – Fear of missing out¹⁶)?
Essa reflexão leva a um resultado duplo: as pessoas precisam se tornar mais conscientes de seus próprios vieses e de suas suscetibilidades à influência, enquanto engenheiros e criadores de tecnologia devem ser responsabilizados pelas ferramentas e sistemas que desenvolvem. A era da incerteza – quando os potenciais danos e benefícios de novos algoritmos eram desconhecidos – ficou para trás. Agora é o momento da maturidade, um período para avaliar cuidadosamente as consequências de nossas criações e agir com responsabilidade.
Virtudes em uma era digital
Em 1Coríntios 13.13, aprendemos que fé, esperança e amor são as principais virtudes teológicas. A filosofia clássica introduz as virtudes cardeais: prudência, justiça, fortaleza e temperança. Além disso, outras virtudes cristãs são extraídas de várias fontes, incluindo as Escrituras, como humildade, paciência, bondade, perdão, obediência, gratidão, mansidão, castidade e diligência.
A questão de como integramos essas virtudes em nosso relacionamento com a tecnologia está longe de ser simples. Exige esforço, intencionalidade e disposição para refletir, e também requer tempo – tempo para pausar e avaliar as formas como a tecnologia se alinha ou se desvia dessas virtudes. O que proponho é que essa reflexão não é apenas valiosa, mas essencial, e é uma prática que vale a pena ser adotada por todos.
É essencial reconhecer que a tecnologia não é neutra.¹⁷ Embora as ferramentas em si possam não possuir valores morais intrínsecos, a tecnologia reflete intenções humanas, valores e contextos sociais. Seu design, seu uso e seus efeitos na sociedade estão profundamente entrelaçados com considerações éticas. Sendo assim, reconhecer essa realidade nos permite abordar a tecnologia com um olhar crítico e um compromisso com a responsabilidade ética, tanto como usuários quanto como engenheiros ou designers encarregados de moldar essas ferramentas.
O design e a intenção dos humanos ao desenvolver tecnologia inevitavelmente refletem seus objetivos específicos, bem como seus preconceitos e suas suposições. Em outras palavras, a tecnologia incorpora os valores de seus criadores. Um exemplo claro disso são os algoritmos das redes sociais, que priorizam o engajamento dos usuários – muitas vezes à custa de expô-los a uma quantidade avassaladora de conteúdo sensacionalista. O resultado é que as redes sociais se transformaram em um campo de batalha, em vez de um espaço para diálogo significativo, distante de um ambiente genuíno de comunidade.
Outro argumento para a falta de neutralidade da tecnologia está nas consequências não intencionais de seu uso. Um exemplo marcante é como os sistemas de IA (inteligência artificial) codificam e perpetuam inadvertidamente os preconceitos presentes em seus dados de treinamento.¹⁸ Esses preconceitos podem levar a ameaças significativas, particularmente em áreas como a lei e a justiça, onde a vigilância dos cidadãos corre o risco de reforçar a desigualdade e minar os princípios democráticos.
A pergunta que surge é: podem os algoritmos computacionais das redes sociais ser impregnados de virtudes? Minha resposta é que, sim, eles podem. Se os algoritmos não são neutros, eles podem ser projetados para se inclinar em qualquer direção – para destruição ou para florescimento, para polarização ou para a construção de comunidades, para o vício ou para a cura. Mas como?
Com base nessa exploração, volto-me para a virtude da prudência e seu papel em moldar nosso relacionamento com as redes sociais. Essa reflexão não pretende ser exaustiva, mas sim um passo em direção a ajudar os leitores a reconsiderar como navegamos em nossas vidas digitais em alinhamento com os propósitos e desejos de Deus para nós.
A prudência, como uma das virtudes cardeais, oferece a clareza e o discernimento necessários para navegar pelos complexos cenários éticos da era digital. Diante de desafios como preconceitos, sensacionalismos e a erosão das comunidades, a prudência torna-se essencial, uma vez que ela nos convida a parar, refletir e tomar decisões ponderadas e intencionais em um mundo que frequentemente prioriza a imediatez e a conveniência em detrimento do engajamento significativo, orientando-nos a alinhar nossas ações com nossos valores e nossa fé.
Prudência e curadoria
Imagine um jardineiro cuidando de um grande e caótico jardim. Com o tempo, ervas daninhas começaram a surgir, sufocando o crescimento das flores e dos frutos. O jardineiro percebe que, sem uma poda cuidadosa e um plantio intencional, o jardim nunca prosperará. Com paciência e discernimento, ele começa a remover as ervas daninhas, plantar sementes nos lugares certos e nutrir o solo. Aos poucos, o jardim se transforma em um espaço de beleza e abundância, refletindo o cuidado e a sabedoria de seu curador.
De muitas maneiras, nossas vidas digitais são como um jardim desordenado. Sem curadoria, o fluxo interminável de conteúdo – posts em redes sociais, vídeos e notícias – pode nos sobrecarregar, distraindo-nos do que realmente importa. A prudência é a ferramenta que usamos para curar nossos jardins digitais, removendo distrações, priorizando o que nutre nossas mentes e almas, e alinhando nossas interações online com nossos valores e nossa fé.
A prudência pode ser descrita como sabedoria e discernimento na tomada de decisões. C.S. Lewis referiu-se a ela como bom senso prático, refletindo sobre o que você está fazendo e o que é provável que resulte disso.¹⁹ Talvez seja a virtude mais próxima da essência do que significa ser ético ou bom. A tomada de decisões é uma responsabilidade constante e desafiadora que nos acompanha ao longo da vida. Mesmo optar por não decidir é, em essência, uma decisão – uma escolha inevitável que pode influenciar profundamente nosso bem-estar e nossa espiritualidade.
Más decisões refletem falta de sabedoria e discernimento. Uma pessoa que continuamente se prejudica escolhendo o caminho errado precisa de autorreflexão e de uma compreensão mais profunda do que significa viver uma vida que glorifica ao Senhor. No mundo digital, isso se manifesta quando passamos uma quantidade excessiva de tempo rolando feeds sem pensar ou correndo de uma série para outra, sem deixar espaço para processar e refletir sobre o que realmente significa passar dias em frente a nossos computadores ou smartphones.
Más decisões refletem falta de sabedoria e discernimento. Uma pessoa que continuamente se prejudica escolhendo o caminho errado precisa de autorreflexão e de uma compreensão mais profunda do que significa viver uma vida que glorifica ao Senhor.
Não é novidade que o tempo é um recurso irrecuperável. Da mesma forma, é amplamente conhecido que a Bíblia contém inúmeras passagens nos exortando a sermos mordomos sábios de nosso tempo.²⁰ Efésios 5.15-16 apresenta um cenário que parece incrivelmente contemporâneo: “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” (NVI). Se os dias são de fato maus, então nossa consciência sobre como investimos nosso tempo para o Reino de Deus deve ser ainda maior.
A maioria das plataformas de redes sociais adota decisões de design que vão contra a necessidade de os cristãos usarem seu tempo de maneira piedosa, fornecendo uma experiência que leva a padrões exploratórios e viciantes para seus usuários. A promoção de decisões informadas e reflexões cuidadosas não faz parte de sua concepção e, na maioria das vezes, essa atitude é desencorajada, pois desacelera o ritmo com que consumimos informações.
Podemos aprender a lidar com nossa finitude quando intencionalmente paramos para contar quantas horas há em nosso dia. Acho que já li isso em algum lugar. Contar dias, contar horas. Parece haver algo importante sobre essa tarefa, e tenho algumas hipóteses sobre o porquê. Contar horas nos conecta com a realidade de que somos limitados, ou seja, não temos todo o tempo do mundo. Estamos aqui temporariamente, como peregrinos em uma jornada para a pátria celestial. Contar horas também é um ato de coragem, e, em um mundo apressado, parar é revolucionário. É um ato que vai contra a corrente e diz ao mundo que ele não dita nosso ritmo.
Parar muitas vezes pode significar que nosso corpo entrou em colapso – um burnout. Mas parar também pode ser um ato revolucionário de alguém que prefere seguir algumas regras criadas há muito tempo, ensinadas por aquele que nunca se cansa, mas que descansou no sétimo dia.
Mas parar para quê? Para curadoria. Gastar tempo pensando no que será consumido e em como será consumido no reino digital traz benefícios para quem estamos nos tornando.
Curadoria e vida em comunidade
Curadores de arte são especialistas responsáveis por decidir o que é boa arte e o que não é. O que merece espaço nas limitadas paredes de um museu e o que não merece. O que se adequa à missão de sua instituição e o que não. Eles dedicam suas vidas consumindo todos os tipos de arte para que sua experiência ao entrar em um lugar sagrado como o Louvre seja de admiração, espanto e epifania. Eles fazem isso para que você não precise gastar tempo vendo toda a arte produzida diariamente ao redor do mundo, o que seria uma tarefa impossível.
Mas e quando se trata de nossas mídias digitais? Quem é o curador? Ou quem decide o que estará no topo da página, destacado e atraindo sua atenção? Para poupar seu tempo e fornecer uma resposta direta, eu diria que são os algoritmos. Eles decidem por você quais opções são melhores. Decidem até mesmo quais são as melhores capas de filmes ou séries que mais despertarão em você o desejo de começar a assistir.²¹ Você gosta de filmes mais sangrentos? Que tal uma capa mais assustadora? Prefere romances? Então vamos com capas mostrando casais apaixonados em um cenário de paz e tranquilidade.
O mesmo acontece com suas mídias sociais, que selecionam para você o que tem prioridade e o que não tem. Mesmo que você filtre o conteúdo que consome, não pode determinar o que será exibido e em que ordem (saudades, Twitter). A questão é ainda mais complexa.
O algoritmo está interessado no seu engajamento com a plataforma, isto é, ele é treinado por meio de um mecanismo de recompensa que imita sua dopamina, mantendo você preso nas coisas que já discutimos aqui. Cada vez que o algoritmo acerta uma recomendação, ele se ajusta para ser ainda mais preciso, e, quando erra, ajusta-se para errar menos.
O engajamento, caso ainda não tenha conectado os pontos, equivale a tempo, e o seu tempo está sendo controlado por uma máquina que age como sua curadora. Consegue ver um problema aqui?
Quando terceirizamos o trabalho de curadoria de arte, sabemos que um curador pode ter uma preferência por um certo artista e, assim, ser tendencioso com relação a ele. E é aí que reside o problema: o algoritmo, esse danadinho, também pode ser tendencioso.
O que seu algoritmo seleciona para manter seu engajamento pode não ser algo útil para você. Em outras palavras, seu algoritmo pode estar oferecendo algo para você consumir que não nutre virtudes. E qual é nossa resposta para isso? Bem, o número de séries e filmes produzidos anualmente continua a crescer. Não há limites para quanto conteúdo as pessoas podem consumir hoje em dia, porque dedicamos nossas vidas a isso. Muitas vezes, sem restrições.
Justin W. Earley propõe algumas estratégias em seu livro The Common Rule: Habits of Purpose for an Age of Distraction (“A regra comum: hábitos com propósito para uma era de distração”, em tradução livre), focando no domínio do uso da tecnologia e no cultivo de relacionamentos saudáveis. Uma de suas propostas se alinha a algo sobre o que venho refletindo há algum tempo: curar o que você consumirá. Pare e gaste tempo escolhendo o que consumir e pensando em quanto tempo gastar nisso. Earley sugere quatro horas por semana. Isso não é mais do que dois filmes (ou um Titanic). Muito pouco? Quanto tempo você tem para processar todas as informações que recebe? Ou você simplesmente pula de um episódio para o outro sem sequer filtrar o que foi ensinado pela produção que consumiu?
Meu chamado é para que exercitemos a virtude da prudência, de forma que nós, com nossos cérebros adultos, retomemos o controle sobre o que quer que consumamos. Isso não é um chamado para boicotar os recentes filmes “woke” da Disney (embora não acredite que valha a pena gastar minha vida assistindo-os). É algo mais difícil e profundo. É um chamado para contar nossos dias e garantir tempo para coisas mais importantes. Quero propor três formas de organizar nossas vidas em relação à mídia digital: (1) limitar a quantidade de tempo que você passa nas redes sociais e assistindo a vídeos, e curar o que você consome antes de ligar ou desbloquear seus dispositivos; (2) “preservar” tempo para pessoas e para sua vida interior; e (3) ser um agente de renovação para o mundo.
Em primeiro lugar, limitar o tempo que você passa em redes sociais, seja YouTube ou Netflix, pode parecer simples, mas é certamente um grande obstáculo para quem deseja viver uma vida virtuosa nos dias de hoje. Em vez de mergulhar em uma lista interminável de filmes e séries, gastando uma hora apenas para decidir o que assistir, ou quais vídeos são mais interessantes no YouTube, proponho que invertamos o fluxo da cachoeira.²² Em vez de deixar o algoritmo ditar o que é bom para nós, dediquemos tempo para refletir sobre o que realmente vale a pena consumir. Reflita sobre quantas horas estão disponíveis em meio a todas as outras tarefas importantes, reconheça as limitações de sua vida e invista tempo naquilo que é mais valioso para você. Pense em quantas horas estão disponíveis no meio de todas as outras tarefas importantes, reconheça a limitação de sua vida e invista tempo no que é mais precioso.
A sensação de dependência da tecnologia só se torna evidente quando retomamos o controle sobre ela. Enquanto escrevo este artigo, comprometi-me a desligar as redes sociais e o e-mail para focar no meu processo. Ainda assim, acessei o e-mail e as redes sociais várias vezes como um reflexo automático da minha própria rotina: um pouco de trabalho, seguido por uma olhada no que está acontecendo no mundo; mais um pouco de trabalho e uma conferida naquele livro que comprei e será entregue hoje; mais um pouco de trabalho e uma checada nas mensagens para ver se alguma delas realmente exige minha atenção (embora 99% das vezes não seja necessário).
Nossos cérebros estão tão programados para essas tarefas intercaladas com nossas atividades que só percebemos esse comportamento quando intencionalmente fechamos algumas “janelas”. Por isso, decidi determinar horários específicos para responder aos meus e-mails. Também decidi que não vou assistir a nada antes de pesquisar e me informar sobre o conteúdo, evitando perder tempo com algo que não será agradável ou útil para mim. Além disso, tomei a decisão de não passar horas preso às redes sociais. Deletei os aplicativos de redes sociais do meu celular e bloqueei o acesso em meu computador durante o dia.
Observe, isso não significa que você deva fazer o mesmo. Não estou tentando ser presunçoso ou ditar o que você deve fazer. Este é um convite à reflexão e à mudança. Um chamado ao diagnóstico e ao remédio; à análise e à inversão do fluxo de vida.
Em segundo lugar, reserve tempo para estar com as pessoas e consigo mesmo. Essa é outra tarefa que parece fácil até tentarmos colocá-la em prática. A pandemia de Covid e nosso vício em redes sociais mudaram a forma como nos relacionamos com os outros, acelerando o padrão individualista de nossa sociedade. A realidade é que, em certos momentos da vida, desconectar não causa nenhum mal. Na verdade, o conceito de um “sabbath tecnológico” tornou-se bastante comum e encontrou seu lugar nas disciplinas espirituais de muitas pessoas.²³ Um detox digital é importante, assim como dedicar tempo e recursos aos necessitados: isso mostra quem é o mestre e quem é o servo nessa relação.
Fazer refeições sem smartphones sobre a mesa, aprender a passar tempo consigo mesmo sem qualquer tipo de tecnologia invasiva. E não me entenda mal. Não estou tentando ensinar um novo estilo de vida. Isso é antigo, mas funciona. As sociedades prosperam quando os hábitos dos indivíduos contribuem para o fortalecimento dos relacionamentos. Concordando mais uma vez com C.S. Lewis, você não pode tornar os homens bons por meio de leis; e sem homens bons você não pode ter uma boa sociedade.²⁴
Que tal abraçarmos esse chamado e nos tornarmos “homens virtuosos” pelo bem da sociedade? Aprendamos a deixar a tecnologia de lado para termos uma mente saudável e a prudência necessária para enxergar as pessoas ao nosso redor, bem como demonstrar a presença física de Jesus por meiode nossas ações no meio de uma realidade virtual.
Em último lugar, seja um agente de renovação. Deus configurou nossos cérebros de maneira que constante e inconscientemente influenciamos uns aos outros. E o mundo precisa de cristãos tanto quanto em qualquer outro momento da história. O martírio faz parte do cristianismo desde o início, mas tem sido vivenciado de maneiras diferentes ao longo do tempo. Quero convidá-lo a abraçar seu martírio buscando, de forma radical, a prudência em sua vida digital, mas também sabendo se afastar dela quando necessário, pelo bem da humanidade.
As redes sociais e os serviços de streaming reduziram nossa capacidade de criar, cuidar e agir em favor dos mais vulneráveis. Eles nos entorpeceram, fazendo-nos acreditar que publicar nossa indignação contra uma nova política aprovada pelo congresso é suficiente. Essas plataformas despersonalizaram nossa presença no mundo e nos desconectaram de quem realmente somos quando as câmeras de nossos smartphones não estão nos filmando ou nos exibindo em nosso melhor estado.
É hora de assumir a responsabilidade pelo que está acontecendo ao nosso redor e de lembrar o chamado de Jesus: “Fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que vos ordenei” (Mt 28.19-20, NVI).
É hora de assumir a responsabilidade pelo que está acontecendo ao nosso redor e de lembrar o chamado de Jesus: “Fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que vos ordenei” (Mt 28.19-20, NVI).
Não estou propondo mágica, nem garanto resultados ou seu dinheiro de volta. Mudar hábitos não é tarefa trivial. Isso me motiva a pensar que fazer uma pausa e decidir o que consumir antes de ligar a tela me dá mais controle sobre o processo, pois, desse modo, tiro o poder do algoritmo que decide por mim quem eu serei e o assumo de volta em minhas mãos. Eu determino quanto tempo vou gastar. Digo a mim mesmo, e ao meu Senhor, que meu tempo é curto e que preciso me organizar para não ficar sem tempo para coisas que vão além do pão (Mt 4.4).
Olho para o meu Senhor e reconheço que nunca consumirei tudo o que é produzido neste mundo, nem lerei todos os livros, nem farei todas as coisas que desejo, e encontro satisfação na realidade de que Ele me entende. Ele também se tornou finito. Ele não tinha todo o tempo do mundo para cumprir sua missão, e por isso Ele curou seu próprio tempo, guardou seu descanso e se retirou das multidões em momentos de confusão e fadiga. Como N.T. Wright coloca: “A vida cristã no presente, com suas responsabilidades e seus chamados particulares, deve ser entendida e moldada em relação ao objetivo final para o qual fomos criados e redimidos”.²⁵
Termino com meu amigo de longa data, lembrando da criança que perde a ida à praia porque quer continuar brincando na lama:
Parece que o Nosso Senhor considera que nossos desejos não são fortes demais, mas fracos demais. Somos criaturas de coração dividido, brincando com bebida, sexo e ambição enquanto a alegria infinita nos é oferecida, como uma criança ignorante que quer continuar fazendo bolos de lama em um cortiço porque não consegue imaginar o que significa a oferta de férias à beira-mar. Ficamos satisfeitos com muito pouco.²⁶
Coisas maiores virão quando colocarmos nossas prioridades em ordem. Acredite.
Referências
Centola, Damon. How Behavior Spreads: The Science of Complex Contagions. Princeton: Princeton University Press, 2018.
Christakis, Nicholas A.; Fowler, James H. Connected: The Surprising Power of Our Social Networks and How They Shape Our Lives. New York: Little, Brown, 2009.
Crouch, Andy. The Tech-Wise Family: Everyday Steps for Putting Technology in Its Proper Place. Grand Rapids: Baker Books, 2017.
Duarte, Fábio. Time Spent Using Smartphones, 2024. Clique aqui para acessar.
Earley, Justin Whitmel. The Common Rule: Habits of Purpose for an Age of Distraction. Downers Grove: InterVarsity Press, 2023.
Gupta, M.; Sharma, A. “Fear of missing out: A brief overview of origin, theoretical underpinnings and relationship with mental health”, World Journal of Clinical Cases, v. 9, n. 19, p. 4881-4889, 6 jul. 2021. DOI: 10.12998/wjcc.v9.i19.4881.
Iacoboni, Marco. Mirroring People: The New Science of How We Connect with Others. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2009.
Lewis, C. S. Cristianismo Puro e Simples. Livro III, Capítulo 4, “Moralidade e Psicanálise”. Londres: William Collins, 1952.
Lewis, C. S. Surprised by Joy. Chapter 13. London: William Collins, 2012. p. 206.
Lewis, C. S. The Weight of Glory. London: Geoffrey Bles, 1941.
Miller, Boaz. “Is technology value-neutral?”, Science, Technology, and Human Values, v. 46, n. 1, p. 53-80, 2021.
O’neil, Cathy. Weapons of Math Destruction: How Big Data Increases Inequality and Threatens Democracy. New York: Crown Publishing Group, 2017.
Reinke, Tony. Competing Spectacles: Treasuring Christ in the Media Age. Crossway, 2019.
Roth, Dany. The Secret Behind Netflix’s Personalized Thumbnails. Clique aqui para acessar.
Schaeffer, Francis A. Escape from Reason. Downers Grove: InterVarsity Press, 2006.
Schaeffer, Francis A. The God Who is There. Downers Grove: InterVarsity Press, 2020.
Warren, Tish Harrison. Liturgy of the Ordinary: Sacred Practices in Everyday Life. Downers Grove: InterVarsity Press, 2016.
Wright, N. T. After You Believe. New York: HarperOne, 2010.
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1. Lewis, Cristianismo Puro e Simples, 2012, p. 63.
2. Reinke, Competing Spectacles, 2019.
3. Lewis, Surprised by Joy, 2012. p. 206.
4. Schaeffer, The God Who is There, 2020.
5. Schaeffer, Escape from Reason, 2006. p. 241, 256.
6. A partir deste ponto, “mídias sociais” será usado como um termo coletivo para englobar redes sociais, plataformas como o Facebook e outros nomes comumente utilizados.
7. Duarte, Time Spent Using Smartphones, 2024.
8. Para ler minha tese de doutorado, clique aqui e acesse meu site. Lá, você encontrará uma extensa coleção de estudos sobre contágio social.
9. É claro que alguns podem argumentar que o medo é o assassino da mente – uma perspectiva que pode fazer sentido, especialmente se você se encontrar perdido em Arrakis.
10. Afinal, a resposta para a pergunta da vida, do universo e de tudo mais já tem resposta: 42!
11. Ver: Deuteronômio 6:5; 1 Samuel 12:24; Mateus 22:37-38; Romanos 12:1; 1 Coríntios 15:58; Colossenses 3:23-24; Efésios 6:7.
12. Lewis, Cristianismo Puro e Simples, 1952.
13. Iacoboni, Mirroring People, 2009.
14. Centola, How Behavior Spreads, 2018.
15. Christakis e Fowler, Connected, 2009.
16. Para mais sobre o FOMO: Gupta e Sharma, Fear of missing out, 2021.
17. Miller, Is technology value-neutral?, 2021, p. 53-80.
18. Para uma discussão detalhada sobre os vieses dos algoritmos, veja: O’Neil, Weapons of Math Destruction, 2017.
19. Lewis, Cristianismo Puro e Simples, 2012. p. 66.
20. Ver: Eclesiastes 3:1-2, Salmo 90:12, Eclesiastes 3:11, Provérbios 16:9, Efésios 5:15-16, 2 Pedro 3:8, Tiago 4:13-14, Romanos 13:11 e Salmo 31:15 para insights bíblicos sobre o valor e a administração do tempo.
21. Para mais nesse assunto, ver: Roth, The Secret Behind Netflix’s Personalized Thumbnails, 2020.
22. Aos fãs de Cavaleiros do Zodíaco, meu respeito.
23. Ver: Earley, The Common Rule: Habits of Purpose for an Age of Distraction, 2023; Warren, Liturgy of the Ordinary: Sacred Practices in Everyday Life, 2016; Crouch, The Tech-Wise Family: Everyday Steps for Putting Technology in Its Proper Place, 2017.
24. Lewis, Cristianismo Puro e Simples, 2012. p. 64.
25. Wright, After You Believe, 2010. p. 5.
26. Lewis, The Weight of Glory, 1941.
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